Documento de requisitos de um site: o que escrever

Planeamento do site 8 min de leitura Atualizado a 2026-08-07

Documento de requisitos de um site com secções assinaladas
A secção mais valiosa do documento é a que diz o que fica de fora.

Um documento de requisitos existe para uma coisa: garantir que você e quem constrói o site estão a falar do mesmo projeto. Não precisa de ser longo. Precisa de ser específico nos sítios certos.

Este guia mostra o que incluir, o que deixar de fora, e as secções que evitam as discussões mais frequentes.

As secções que não podem faltar#

Cada uma destas existe porque a sua ausência causa um problema previsível.

  1. Contexto e objetivos. O que faz a empresa e o que o site tem de conseguir, em números.
  2. Público. Quem visita e com que dúvida.
  3. Lista de páginas. Todas, agrupadas por modelo, com indicação de quais são novas.
  4. Funcionalidades. Formulários, pesquisa, filtros, área reservada, o que for.
  5. Integrações. Cada sistema externo, com quem é responsável por dar acesso.
  6. Conteúdo. Quem escreve, quem fotografa, quem introduz, e até quando.
  7. Requisitos técnicos. Idiomas, acessibilidade, desempenho, navegadores suportados.
  8. Fora do âmbito. A secção mais importante do documento.
  9. Prazos e responsáveis. Quem decide, e o que acontece se algo atrasar.

A secção «fora do âmbito» evita mais discussões do que todas as outras juntas. Escreva-a mesmo que pareça óbvia.

Como escrever requisitos que se conseguem verificar#

Um requisito vago não é verificável, e o que não é verificável discute-se no fim do projeto.

VagoVerificável
O site tem de ser rápidoLCP abaixo de 2,5 s nas páginas principais em 4G
Tem de funcionar em telemóvelUtilizável a partir de 360 px, testado em dispositivos reais
Tem de ser acessívelConforme WCAG 2.1 nível AA nos modelos principais
Fácil de gerirA equipa cria e publica uma página sem programador
Desenho modernoSegue o manual de marca; três propostas iniciais
Otimizado para SEOTítulos editáveis, mapa do site, dados estruturados, redirecionamentos
Suporta vários idiomasPT e EN no lançamento; estrutura para acrescentar mais

O que deixar de fora#

Documentos demasiado detalhados custam tempo a escrever, tempo a ler, e retiram a quem constrói a possibilidade de propor melhor.

  • Não especifique tecnologias sem razão. Diga o problema; deixe a solução para a proposta.
  • Não escreva o texto de cada botão. Isso resolve-se com ecrãs à frente.
  • Não desenhe o site em palavras. Referências visuais funcionam melhor do que descrições.
  • Não inclua funcionalidades «para o futuro» sem as marcar claramente como fase dois.
  • Não copie requisitos de outro documento sem verificar se se aplicam.
  • Não peça o que não vai usar. Cada funcionalidade tem custo de construção e de manutenção.

Se o documento passa das dez páginas para um site institucional, provavelmente está a especificar a solução em vez do problema.

Usar o documento durante o projeto#

O documento não é para arquivar depois de assinado. É a referência que resolve discussões.

  • Envie o mesmo documento a todos os candidatos, para obter propostas comparáveis.
  • Anexe-o ao contrato, para que o âmbito acordado seja o âmbito escrito.
  • Quando alguém pedir algo novo, verifique se está no documento antes de discutir prazo.
  • Registe as alterações de âmbito por escrito, com estimativa, antes de o trabalho começar.
  • Use a lista de páginas como lista de verificação de conteúdo durante a construção.
  • Na entrega, percorra os requisitos verificáveis um a um.

Perguntas frequentes

Que extensão deve ter o documento?

Para um site institucional, cinco a dez páginas chegam. Para um projeto grande com integrações, vinte a trinta. Se estiver a passar muito disso, é provável que esteja a especificar a solução em vez do problema — e documentos assim tendem a ser ignorados por todos, incluindo por quem os escreveu.

Devo dizer qual é o orçamento?

Sim. Quem constrói pode então propor o melhor projeto possível dentro desse valor, em vez de adivinhar. Quem não indica orçamento recebe propostas que variam por um fator de dez e não consegue compará-las. Indicar um intervalo é suficiente; não é preciso revelar o limite exato.

Quem deve escrever o documento?

Alguém do lado do cliente que conheça o negócio, idealmente com apoio de quem percebe de web. Se pedir a uma agência que o escreva, é normal que descreva o projeto que essa agência gosta de fazer — o que pode até ser bom, mas deixa de servir para comparar propostas. Se o fizer assim, pague essa fase à parte.

E se os requisitos mudarem a meio?

Mudam quase sempre, e o documento não impede isso — organiza-o. Tenha um procedimento de alteração: cada pedido novo recebe uma estimativa escrita antes de começar. O problema não são as alterações, é as alterações entrarem sem que ninguém ajuste prazo nem orçamento.

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Última atualização a 2026-08-07 por websitedevelopment.biz · Sobre nós

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